A novela As Aventuras de Poliana
estreou nessa quarta-feira (16) para substituir a excelente Carinha de Anjo
que, convenhamos, não aproveitou o tempo que tinha. Começou a enrolar demais e
agora, no fim da novela, está jogando acontecimentos um em cima do outro de
maneira deveras rápida, velocidade que poucas vezes vimos nessa novela.
A nova novela é inspirada no livro americano
Pollyanna, lançado em 1913. A adaptação para as terras tropicais ficou com uma
ambientação excelente, excepcionalmente no começo do primeiro episódio, onde
mostra a passagem do circo dos pais de Poliana pelo nordeste brasileiro.
Não houve uma apresentação muito
grande dos pais de Poliana, o que torna sua partida menos comovente. Isso não é
uma falha de roteiro não; isso demonstra a reação da protagonista com o
infortúnio, já que ela pratica incessantemente o “jogo do contente”, baseado em
sempre ver o lado bom de tudo.
Normalmente eu acharia esse jogo muito
brega. Porém, a vivacidade que a atriz Sophia Valverde dá a esse estilo de vida
é única e fascinante. Não só nisso Sophia é boa: conseguiu também transmitir
toda a doçura de Poliana, fazendo uma personagem muito meiga.
A admiração da protagonista com a
cidade grande representa de maneira idêntica a reação da gente, povo do
interior, com a grandeza de São Paulo.
Achei a transição de cenas muito
brusca, mas nem de longe estraga a experiência do episódio.
A escola de Poliana, Colégio Ruth Goulart,
me lembrou muito o colégio Hollywood Arts do seriado Brilhante Victoria: uma
escola, focada nas artes, onde para se matricular é necessário passar por
audições. Porém, deve ser apenas uma coincidência ou talvez uma leve
inspiração.
A personagem de Larissa Manoela parece
um pouco rancorosa com a sua avó, por ter que ficar cuidando da idosa. Porém, é
até entendível a amolação que é para um adolescente ficar cuidando de algum
parente.
A maldade dos adultos (e de algumas
crianças também) com a afável Poliana é de partir o coração. Pelo jeito isso
irá acontecer muitas vezes nessa novela.
A direção é bem diferente de sua antecessora
Carinha de Anjo. Podemos ver isso, por exemplo, pela câmera: enquanto na trama
de Dulce Maria o posicionamento de câmera é bem simples e básico, nesta novela
a câmera é bem mais sofisticada, como vemos na cena do jantar de Luísa.
Luísa, aliás, parece ter um ranço por
tudo que existe. Mais pra frente da novela, certamente, saberemos o motivo
disso.
A novela promete muito, até mesmo ser
melhor que Carinha de Anjo. Por enquanto é só promessa, mas começou muito bem.
Aguardemos os próximos capítulos.
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