sábado, 19 de maio de 2018

A doçura de Poliana

A novela As Aventuras de Poliana estreou nessa quarta-feira (16) para substituir a excelente Carinha de Anjo que, convenhamos, não aproveitou o tempo que tinha. Começou a enrolar demais e agora, no fim da novela, está jogando acontecimentos um em cima do outro de maneira deveras rápida, velocidade que poucas vezes vimos nessa novela.

A nova novela é inspirada no livro americano Pollyanna, lançado em 1913. A adaptação para as terras tropicais ficou com uma ambientação excelente, excepcionalmente no começo do primeiro episódio, onde mostra a passagem do circo dos pais de Poliana pelo nordeste brasileiro.

Não houve uma apresentação muito grande dos pais de Poliana, o que torna sua partida menos comovente. Isso não é uma falha de roteiro não; isso demonstra a reação da protagonista com o infortúnio, já que ela pratica incessantemente o “jogo do contente”, baseado em sempre ver o lado bom de tudo.

Normalmente eu acharia esse jogo muito brega. Porém, a vivacidade que a atriz Sophia Valverde dá a esse estilo de vida é única e fascinante. Não só nisso Sophia é boa: conseguiu também transmitir toda a doçura de Poliana, fazendo uma personagem muito meiga.

A admiração da protagonista com a cidade grande representa de maneira idêntica a reação da gente, povo do interior, com a grandeza de São Paulo.

Achei a transição de cenas muito brusca, mas nem de longe estraga a experiência do episódio.

A escola de Poliana, Colégio Ruth Goulart, me lembrou muito o colégio Hollywood Arts do seriado Brilhante Victoria: uma escola, focada nas artes, onde para se matricular é necessário passar por audições. Porém, deve ser apenas uma coincidência ou talvez uma leve inspiração.

A personagem de Larissa Manoela parece um pouco rancorosa com a sua avó, por ter que ficar cuidando da idosa. Porém, é até entendível a amolação que é para um adolescente ficar cuidando de algum parente.

A maldade dos adultos (e de algumas crianças também) com a afável Poliana é de partir o coração. Pelo jeito isso irá acontecer muitas vezes nessa novela.

A direção é bem diferente de sua antecessora Carinha de Anjo. Podemos ver isso, por exemplo, pela câmera: enquanto na trama de Dulce Maria o posicionamento de câmera é bem simples e básico, nesta novela a câmera é bem mais sofisticada, como vemos na cena do jantar de Luísa.

Luísa, aliás, parece ter um ranço por tudo que existe. Mais pra frente da novela, certamente, saberemos o motivo disso.


A novela promete muito, até mesmo ser melhor que Carinha de Anjo. Por enquanto é só promessa, mas começou muito bem. Aguardemos os próximos capítulos.

domingo, 30 de julho de 2017

Volta, CQC!

O programa da Band que misturava humor e jornalismo nasceu em 2008. Comandado por Marcelo Tas - que já fazia o CQC muito antes, como o nosso repórter Ernesto Varela - o programa das noites de segunda da Bandeirantes era ácido e engraçado.

Após a saída de alguns humoristas, como Rafinha Bastos, Danilo Gentili e Monica Iozzi e suas reposições, insuficientes, causaram uma queda na qualidade no programa. Com a saída de Tas tudo degringolou; colocaram Dan Stulbach no lugar (sério? Quem achou que isso ia dar certo?) e o programa nunca mais foi o mesmo.

Prometido de voltar em 2016, tirando um ano sabático em 2015, como vocês sabem não voltou. Seria um programa imperdível nas Olimpíadas, apesar da fraca participação na Copa do Mundo no nosso país.

No ano mais conturbado da história da política nacional, um programa como o CQC faz muita falta.

Um conteúdo na internet que me parece assemelhado ao CQC é o canal Mamãe Falei, que entrevista manifestantes e políticos acerca de sua conduta e opiniões. Porém, o humor não é o mote do canal, focando-se somente na política.

Precisamos de um novo CQC. Seja na Band ou em qualquer lugar, ele é necessário em uma situação política como a nossa.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Silvio, Maisa e Dudu: o show que deu certo

Divulgação/SBT
Inauguro este blog de uma forma digna: com uma polêmica daquelas. O bafafá de Maisa Silva e Dudu Camargo no Programa Silvio Santos me parece ter (finalmente) acabado, e aqui faço uma análise desse fato singular na história da TV brasileira.

Começo pelo fato. Dudu Camargo e Maisa Silva foram ao programa de Senor Abravanel para participar do Jogo dos Pontinhos. Silvio fez brincadeiras com os dois para os mesmos namorarem. Poderia ser uma graça qualquer de programa de TV, mas não. Dudu, mais experiente que muitos experientes, sabiamente entrou no jogo, mas Maisa fez questão de recusar qualquer tipo de brincadeira de Silvio e Dudu.

Sou um entusiasta do Estado de Direito. Tudo e todos devem seguir a legislação nacional, estadual e municipal. De fato, um namoro entre uma menina de 15 anos com um rapaz de 18 é considerado criminoso; porém, ao ser o "cupido" dos dois, Silvio pode ser considerado incitador de crimes?  De jeito nenhum.

Silvio é o mais desenvolto de todos os apresentadores. Com certeza já passou por isso antes e, pelo jeito, vai passar ainda mais.

Tal acontecimento demonstra que rabugice não tem relação com a idade. Silvio, 71 anos mais velho que Maisa, mostrou ser brincalhão como sempre; já Maisa, ranzinza como nunca vi, nos faz torcer que o remédio para essa falta de bom-senso seja o tempo.

Quem levou a sério esse caso é, no mínimo, um ingênuo. Tudo, absolutamente tudo na TV é show. Tudo é pra dar audiência e manchetes. Maisa foi a única que me deixou em dúvida: estava mesmo se sentindo ofendida ou era apenas amostra de seu talento na atuação? Eu acredito na segunda, pois posar de vítima lhe seria conveniente.

No fim da história, todos se deram bem: Maisa ficou com fama de ativista pela liberdade das mulheres;  Dudu ganhou uma visibilidade tremenda; e Silvio ganhou propaganda de seu programa. Não que fosse preciso, mas divulgação nunca é demais.

Esse episódio deixa claro e evidente que toda essa discórdia não passa de um tedioso, desnecessário e interminável nhe-nhe-nhem.